08 novembro 2006

Quais são os livros imprescindíveis para estudar gêneros jornalísticos?

Essa é uma das primeiras questões com as quais nos deparamos no começo de uma pesquisa. O que e quem não se pode deixar de ler. No caso do campo jornalístico, em se tratando de gênero, a lista não seria tão longa assim. As referências sobre os conceitos-chave para estudar gênero, no entanto, são muitas, inclusive levando-se em conta a própria noção de ‘gênero’, advinda da literatura.

Pensando em auxiliar aqueles que se interessam pelo estudo dos gêneros jornalísticos, incentivada por algumas demandas recentes e, principalmente, no intuito de trocar dicas com os colegas leitores, fiz uma seleção da bibliografia atual da tese. São aqueles imprescindíveis como base conceitual e das teorias de jornalismo. Neste espaço não estão as sugestões para o jornalismo digital, que traremos em outro post.

Então, o espaço está mais do que aberto para as sugestões que acrescentarei na lista a partir dos comentários.


Gênero na literatura

Aristóteles (sem comentários)
Poética, São Paulo, Abril Cultural, 1984.
Retórica. Introdução de Manuel Alexandre JÚNIOR. Tradução do grego e notas de Manuel Alexandre JÚNIOR, Paulo Farmhouse ALBERTO e Abel do Nascimento PENA. Lisboa: INCM, 1998

COMPAGNON, Antoine (curso relativamente novo, auxilia bastante no percurso do conceito de gênero na literatura e está disponível)
La notion de genre. Cours à l’Université de Paris IV-Sorbonne
UFR de Littérature française et comparée. Disponível em Fabula.

GENETTE, Gérard (macrogênero; diferença entre gênero, tipo e modo; arquitextos e arquigêneros. Obrigatório.)
(1972) Figures III, Paris, Seuil, 1972.
(1977) Genres, “types”, modes, in: Poétique, nº 32, novembre 1977.
(1979) Introduction a l'architexte, París, Seuil, 1979.
(1991) Fiction y diction, paris: Seuil.

TODOROV, Tzvetan (1939; formalista russo; entra o aspecto pragmático das propriedades constitutivas)
(1969) As estruturas narrativas, S. Paulo: Perspectiva, 1979.
(1978) Os gêneros do discurso, S. Paulo: Martins Fontes, 1981.



Bases conceituais (diferentes linhas)

ADAM, Jean-Michel (linguística e AD francesa)

Eléments de linguistique textuelle. Liège: Mardaga, 1990.
Les textes: Types et prototypes. Paris: Nathan, 1992.
Linguistique textuelle: Des genres de discours aux textes. Paris: Nathan, 1999.
Unités rédactionnelles et genres discursifs : cadre général pour une approche de la presse écrite, Pratiques, n° 94, juin 1997.

BAKHTIN, Mikail ( mudança de ‘paradigma’ na compreensão dos gêneros, ao ter como sabe o dialogismo)
(1963) Os gêneros do discurso. São Paulo: Martins Fontes, 1992.
(1934-35/1975) Questões de literatura e de estética – A teoria do romance. SP : Hucitec/UNESP, 1988.
Estética da criação verbal. Introdução e tradução do russo Paulo Bezerra; prefácio à edição francesa Tzvetan Todorov, 4ª ed., São Paulo, Martins Fontes, 2003.

BHATIA, Vijay
(1993) Analysing Genre: Language in Professional Settings London: Longman.

BAZERMAN, C. (gênero como ação social)
(1988). Shaping Written Knowledge. The Genre and Activity of the Experimental Article in Science. Wisconsin: The University of Wisconsin Press.

(1994). Systems of Genres and the Enactment of Social Intentions. In A. Freedman & P. Medway (Eds.), Genre and the New Rhetoric, pp. 79-101. London: Taylor & Francis

(2004). Speech acts, genres and activity systems: How texts organize activity and people. In: What writing does and how it does it: An introduction to analyzing texts and textual practices, Ed. by Charles Bazerman & Paul Prior, Lawrence Erlbaum Associates.

BOURDIEU, Pierre (se vc acredita no conceito de campo)
O poder simbólico, Rio de Janeiro: Bertrand Brasil, 2001.
Questions de sociologie, Paris, Minuit, 1984.
Raisons pratiques, Sur la théorie de l’action, Paris, Seuil, 1994.

BRONKART, J-P.
(1997) Atividade linguagem, textos e discursos. Por um interacionismo sócio-discursivo, São Paulo, EDUC, 1999.

CHANDLER, Daniel
Un introduction to genre theory. Curso online.

CHARAUDEAU, Patrick (Análise do Discurso)
(1983) Langage et discours. Éléments de sémiolinguistique (Théorie et pratique), Hachette, Paris.
(1994) Le discours de communication de l information mediatique, in : Le Français dans el Monde, numéro spécial, Paris, Hachette/Edicef, Julliet 1994.
(1995) Une analyse sémilinguistique du discours. In: Langages, Paris Larousse, mars, 1995.
Les conditions d'une typologie des genres télévisuels d'information, revue Réseaux n°81, CNET, Paris Janvier-Février 1997.
Le discours d’information médiatique. Paris. Nathan/INA, 1997.
Visadas discursivas, gêneros situacionais e cosntrução textual, in: MACHADO, I.L. & MELLO, R. (orgs) Gêneros: Reflexões em Análise do Discurso. Belo Horizonte, NAD/FALE/UFMG, 2004.

DERRIDA, Jacques
(1981): 'The law of genre'. In W J T Mitchell (Ed.): On Narrative. Chicago: University of Chicago Press.

FOUCAULT, Michel
(1969) A arqueologia do saber, Petrópolis: Vozes, Centro do Livro Brasileiro, 1972.
___________. (1975) Vigiar e punir: nascimento da prisão, Petrópolis: Vozes, 1987.
__________., Dits et écrits 1954-1975, Paris, Quarto Gallimard, 1994.

GOIMARD, Jacques (da área de cinema)
Critique des genres. Paris, Pocket, 2004.


MAINGUENEAU, Dominique (Análise do Discurso)

Análise de textos de comunicação, São Paulo, Cortez, 2002 (1998)
D’analyse du discours, Paris, Hachette, 1997.
Les termes clés de l’analyse du discours, Paris, Le Seuil, 1996.
Genèses du discours, Liège, Mardaga, 1984.
Nouvelles tendances em analyse do discours, Hachette, Poetique, , , nº 4, 1987.
Diversidade dos gêneros de discurso, in: MACHADO, I.L. & MELLO, R. (orgs) Gêneros: Reflexões em Análise do Discurso. Belo Horizonte, NAD/FALE/UFMG, 2004.


MILLER, Carolyn
Genre as Social Action” Quarterly Journal of Speech 70 (May 1984): 151–167

VERÓN, Eliseo (releu o conceito de ‘contrato de leitura’, esmiúça enunciado e enunciação, cria a diferença entre gêneros de linguagem e gêneros de produtos)

L’analyse du “contrat de lecture”: une nouvelle methode pour les etudes de positionnement dês supports presse. In: Les Medias. Experienees Recherches actualles Apllications, IREP, Paris, juillet, 1985.
________. (1983) Quand lire, c’est faire : l’enonciations dans le discours de la presse ecrite, in : Les medias, Institut de Recherches et d’Etudes publicitaires, Paris, p.33-51.
________. Il est là, je le vois, il me parle, in : Communications, nº 38, 1983, p. 98-120.
________. Presse écrite et théorie des discours sociaux : production, réception, régulation, in CHARAUDEAU Patrick (dir.), La presse. Produit, production, réception, Didier Érudition, Paris, 1988.
_________. Les médias en réception: les enjeux de la complexité, in Médias pouvoirs, n° 21, Paris, Bayard Presse, janvier-février-mars, 1991.

SWALES, John (sócio-retórica)
Genre analysis. Cambridbe: Cambridge University Press, 1990.

VAN DIJK, Teun A.
(1983). La ciencia del texto. Barcelona: Paidós Comunicación.
_________. (1980) La noticia como discurso. Comprensión, estructura y producción de la información, Barcelona, Paidós, 1990.
_________. (1992) Cognição, discurso e interação. (org. e apresentação de Ingedore V. Koch), 4 ed., São Paulo: Contexto, 2002.


Gêneros no jornalismo (norte-americanos, hispânicos, brasileiros)

BOND, Fraser
Introdução ao jornalismo. Rio de Janeiro, Livraria Agir Editora, 1959.

BELTRÃO, Luiz (o primeiro autor brasileiro a pensar os gêneros jornalísticos)
Jornalismo Opinativo. Porto Alegre, Sulina, 1980.
Jornalismo Interpretativo. Porto Alegre, Sulina, 1976.

CASASÚS, J. M. y NUÑEZ LADEVÉZE, L. (1991) Estilo y géneros periodísticos. Barcelona: Ariel.

GOMIS, Lorenzo. Teoría dels gèneres periodístics, Generalitat de Catalunya, Barcelona, 1989.

HOHENBERG, John. Manual de Jornalismo. Ed. Fundo de Cultura. Rio de Janeiro, 1962.

MACDOUGALL, Curtis
Interpretative journalism, 4ª ed, Nova Iorque, MacMillan, 1963.

MARQUES DE MELO, José (referência mais consultada atualmente no Brasil)

A opinião no Jornalismo Brasileiro. Petrópolis: Vozes, 2ª edição revista, 1994.
(Atenção ao novo livro que deve ser publicado no próximo ano)

MARTINEZ Albertos, Jose Luís. Curso general de Redacción Periodística. Barcelona: Paraninfo, 1983.
NÚÑEZ LADEVÉZE, L.Introducción al periodismo escrito, Ariel Comunicación, Barcelona, 1995.

MEYER, Philip. Precision Journalism - A Reporter's Introduction to Social Science.

SÁNCHEZ, J. F. y LÓPEZ PAN, F. Tipologías de géneros periodísticos en España. Hacia un nuevo paradigma, in: Comunicación y Estudios Universitarios, Revista de Ciències de la Informació, nº 8, CEU San Pablo, Valencia, 1998.

11 comentários:

catatau 00:09  

legal ver o Foucault aqui, mas qual a importancia q vc deu a Arqueologia do Saber? Seria interessante mostrar outros textos do Foucault, especialmente os volumes do meio dos Ditos e Escritos, mais voltados ao dito 'período genealógico'. Talvez lá, na descrição das sociedades disciplinares, haja algo mais interessante... Talvez até o Em Defesa da Sociedade, quando trata de política racial e biopolítica, pode haver algo bom

Lia Seixas 13:24  

Olá,
A Arqueologia do Saber é 'o' texto para trabalhar o conceito de formação discursiva. Além das importantes noções de enunciado e função enunciativa.
Confesso, que não conheço a noção de 'sociedades disciplinares', mas vão pesquisar. Obrigada. Agora, qual volume vc indica?
E q relação faz de gênero discursivo com 'política racial e biopolítica'?
Ah...fiquei curiosa em saber seu nome e em q faculdade estuda/ trabalha...

Lailton Costa 21:12  

Lia, prazer. Estou iniciando pesquisa (Mestrado) na UMESP sobre os gêneros jornalísticos (de jornal) com a conclusão para 2008. Tive contato com o seu trabalho em um artigo (Compós) e é com uma grata supresa que cheguei a este espaço. Parabéns pela iniciativa. Já está no menu "favoritos".

lailton Costa 21:14  

digo, é com prazer que chego (no sentido de encontrar o blogue).

Lia Seixas 06:52  

Olá Lailton,
Muito obrigada!
Fique sempre à vontade, pra escrever, comentar, sugerir, criticar.
Grande abraço,
Lia

Luciana 21:52  

Na minha lista, entra também o Talese.

Lia Seixas 09:31  

Oi Luciana, me parece uma boa sugestão. Agora, quais livros? "writing Creative Nonfiction: The Literature of Reality"?
abraço.

Anônimo 15:56  

Hi.. good topic... respect


























Cristina 23:08  

Oi Lia!!!
Só para ficar registrado. Gostei muito do seu blog.
Creio que minhas visitas serão mais constantes, pois farei meu TCC com base no gênero opinativo. Já me deparei com Luiz Beltrão e Marques de Melo.
Parabéns pelo espaço.

Alinne Aquino 10:30  

Olá...

vc tem alguma indicação para Gêneros jornalísticos na televisão que abrange revista eletrônica?

Obrigada

Lia Seixas 14:40  

Alinne, nao entendi bem usa pergunta. Você se refere a livro que classifique gênero televisivo e inclua "revista eletrônica'?
Me envia um mail:
liaseixas@gmail.com
abraço,

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