08 julho 2008

Humor jornalístico? Jornalismo de humor?

Ontem, no CQC ("Custe o que Custar"), o novo programa de humor coordenado por Marcelo Tás na Band TV, uma discussão interessante veio à tona: o CQC é programa jornalístico ou não? Ainda, é jornalismo de humor? Humor jornalístico?

Depois de 2 meses de barrados no Congresso Nacional, o CQC, através de quase 300mil assinaturas de baixo-assinado na internet, conseguiu autorização para fazer reportagens. No programa de ontem, foi ao ar a primeira matéria depois do episódio.

Com um histórico mostraram a primeira matéria, as tentativas, os momentos de explusão. De lá para cá, dois destaques. Arlindo Chinaglia disse algo como "vocês foram entendidos como programa de humor e não jornalístico". A Luciana Genro retrucou: "acho que ele não pode dizer o que é ou não jornalismo". Afinal, quem pode?

Na matéria de ontem, Rafinha Bastos foi o repórter. E o que Rafinha pergunta para vários deputados? Se eles acham que os políticos são honestos (o exemplo mais frequente). Hummm, senti falta de humor nessa hora...O tom dos assuntos nesta "reportagem", exceto pelas animações no vídeo, estava muito sério.

Uma informação importante na revista da TV do Globo Online. Dentre todos os homens de preto são de Tv ou teatro, apenas Rafinha é jornalista também:

"Assim como Luque, boa parte do elenco do "CQC", que estreou no mês passado, veio do teatro. Danilo Gentili, Oscar Filho e Rafinha Bastos integram o Clube da Comédia e são conhecidos dos fãs do stand-up comedy, gênero popularizado na TV por Jerry Seinfeld, em que o humorista fica de pé no palco para contar piadas de cara limpa. O trabalho do trio já era um fenômeno na internet muito antes de o trio invadir a TV" ("Humoristas do 'CQC' renovam gênero na atração da Band").

Marcelo Tás, que domina de forma excepcional a linguagem da tv, é diretor, apresentador e roteirista. Rafinha Bastos, quem fez a matéria de ontem, é o único jornalista. O que isso significa? Será que este estatuto, de ser jornalistas, influencia no gênero?


Em que pese a discussão do gênero, vale ressaltar algo muito importante: quando o CQC começou a entrar no Congresso, os deputados não tinham idéia do que era o programa. Ou seja, não tinham noção da ação de comunicação a que estavam submetidos quando entrevistados. Agiram como se fora um jornalista do Jornal da Globo ou Jornal da Band. Será que não estaria aqui, com força, a "finalidade reconhecida"? Saber do que se trata? Assim, talvez possa ocorrer o que o próprio Rafinha afirmou à FolhaOnline:

""A gente também faz isso [jornalismo], mas faz de uma forma irônica e bem-humorada. Isso está assustando a figura política. Tomara que eles [parlamentares] se dêem conta que vão poder usar essa nova linguagem a favor deles e que isso pode ser interessante", afirmou Bastos." (""CQC" faz protesto em Brasília para entrar no Congresso", FolhaOnline, 19/o6/08)

7 comentários:

flaerte 15:53  

Se eu tivesse que classificar o CQC, Lia, eu diria que é jornalismo com humor. O modo como as matérias são tratadas modifica um pouco conforme o tema pautado. No caso de matérias com artistas, o espaço do humor se amplia e surgem as semelhanças com outros programs como o Pãnico, por exemplo. Mas, no caso de matérias de conteúdo político, o espaço do humor fica mais restrito e há aproximações com as matérias de jornalismo político de outros telejornais. O humor é, sem dúvida, um dos elementos, mas não é o principal. Esta é a minha impressão. Sem dúvida, a confusão feita por parlamentares entre essas duas linhas (humor e jornalismo) foi bem interessante. Parabéns.

Lia Seixas 08:40  

Obrigada pelo comentário! Entendo que é porque o "humor" não é reconhecido como ingrediente para se fazer jornalismo, pelo menos no Brasil. A França, por exemplo, tem uma tradição mais forte. Não me dedico a esse tema, mas considero muito interessante mesmo.
Fiquei curiosa pra saber seu nome...vc é jornalista?
abraço!

Demétrio de Azeredo Soster 14:17  

Oi, Lia. Assisti ao programa que seu post se refere e achei bastantante oportuna a discussão que você levanta. Sem entrar no mérito de quem é graduado ou não; de quem estudou ou não, penso que temos neste formato uma forma bem legal de se fazer jornalismo, mais para o lado do entretenimento, sentido de diversional, é verdade, mas nem por isso menos sério; menos lincado à realidade. Busco trabalhar, junto aos meus alunos aqui do Sul, formas cada vez mais diferentes de se fazer jornalismo, como mecanismo de busca do que é diferente, pouco convencional; portanto criativo, vivo. Grande abraço.

Lia Seixas 09:18  

Prezado Demétrio, obrigada pelo comentário!
Assiti a esse dia em que o CQC volta ao congresso e eles fizeram um apanhado de todo o processo, reprisando falas. Colocaram no ar a fala de Chinaglia dizendo que para ele era programa de humor, que ele não sabia que era jornalístico.
Ou seja, para entrar no congresso tinha que ser jornalístico. O que é ser jornalístico? Daí, dos "7 caras",o único que foi aceito pra fazer "reportagem" no congresso foi o "Rafinha Bastos", jornalista da turma de atores do standup comedy . Isso é que é curioso, não é?
Grande abraço!

robertarego13 17:06  

OI LIA! Sou estudante de Jornalismo e estou fazendo meu projeto final sobre o CQC. Meu tema é: A INFLUÊNCIA DO HUMOR NO JORNALISMO DA TV BRASILEIRA. CQC: HUMOR JORNALÍSTICO OU JORNALISMO DE HUMOR? Curiosamente, pesquisando na internet achei seu comentário que etá me ajudando um pouco. Gostaria de entender melhor sua posição em relação a esse tema. Meu prof acredita que o programa terá vida curta. E vc o que acha?

Lia Seixas 08:45  

Oi, Roberto, todo exercício de 'futurologia' é difícil...mas diria que, agora, não creio que o CQC tem vida curta...de qualquer maneira, penso que esta não é sua questão principal, neh?
Me manda teu mail que falamos mais.
abraço,
obrigada pelo comentário,
Lia

Neuma Queiroz 02:09  

Olá, sou acadêmica de jornalismo e estou iniciando a minha monografia. Meu tema é Jornalismo bem humorado - com recorte do novo quadro do C.Q.C. "Fala na Cara" - Gostria de saber se pudemos trocar figurinhas sobre a sua TESE, pois o assunto é de grande relevância para o meu trabalho.
Neuma Queiroz
neumaqr@hotmail.com

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