14 maio 2008

Informação X Opinião: um paradigma verdadeiro.

Lançamento de 'Mídia e Cultura Popular: História,
Taxionomia e Metodologia da Folkcomunicação", SP.
Nesta segunda parte da entrevista com o professor José Marques de Melo, tivemos um excelente diálogo, que ultrapassa e muito a discussão de gêneros. Muito simpática e didaticamente, o autor de "Opinião no Jornalismo Brasileiro", o livro mais citado quando se trata de classificação de gênero jornalístico, analisa os campos da comunicação e do jornalismo. No bom sentido, nos assusta, mas traz uma importante reflexão sobre a pesquisa brasileira e os programas de pós-graduação do país.

"(...) a comunicação é um campo composto por diferentes especialidades. No Brasil, se fez uma geléia geral. Tudo desapareceu. (...) Aqui, a gente aboliu tudo isso e trabalha com o conceito de indústria cultural, firmado por Adorno e Hokheimer numa determinada conjuntura, que as pessoa não entenderam, transpõem isso como se fosse o mal e o mal tem que ser combatido."

Esse é o mesmo motivo pelo qual Marques de Melo afirma que o "campo do jornalismo está desaparecendo". É uma critica à "falta de rigor" na pesquisa brasileira em comunicação:

"(...)
Não se pesquisa comunicação de massa nesse país. Se acha, se condena, se aprova, mas não se pesquisa. Não se tem estudos empíricos. (...)"

O que se refletiria também na inexistente relação entre universidade e mercado. No nível mais prático possível, em ciências sociais aplicadas, trabalha-se, frequentemente, com pesquisa de campo e coletas de dados.

"(...) Não há diálogo. Pelo contrário, há recusa. A gente se comporta diante do mercado como se fosse alguma coisa que não nos dissesse respeito. (...)"


Paradigma e Mídia


No que diz respeito a gênero, dois pontos-chave: o paradigma informação X opinião e a relação entre gênero e mídia. Para o professor, "informação x opinião" não é um falso paradigma no Brasil e sim um verdadeiro paradigma. Fica claro como o jornalismo ainda carece de parâmetros para compreender os conceitos de opinião, interpretação e ideologia, noção que, nas palavras do professor, "virou uma panacéia".

Quanto à mídia, uma questão pouco problematizada: que nível de influência tem a mídia, o suporte e o dispositivo na configuração de um gênero discursivo.

E, para finalizar, os autores de base para se estudar gêneros, segundo Marques de Melo: Frei Caneca, Aristóteles e Quintiliano.

Vamos à íntegra!


GÊNERO POR MÍDIA


No Brasil, os estudos dos gêneros comuncacionais, sejam da semiótica, dos estudos culturais ou das teorias do jornalismo, afirmam que a diferença de mídia é igualmente uma diferença de gênero, ou seja, que se deve estudar gênero por mídia (gêneros televisivos, radiofônicos, digitais, etc). O senhor concorda com esta compreensão?
Suporte é fundamental, mas não no caso do jornalismo.

Não entendi..
Por exemplo, se vamos analisar os gêneros midiáticos no jornal, há a predominância do gênero jornalístico e presença dos gêneros persuasivos ou do diversional, tem pouco no jornal. Mas na televisão é majoritário. Para analisar o entretenimento na televisão tem que ter um outro referencial que não o jornalístico.

Mas para você o conceito de gênero perpassa as mídias..

Perpassa, perpassa as mídias, não obstante eu trabalhe com o critério funcional. Eu verifico funcionalmente quais são as mensagems que correspondem a determinadas funções e divido ali. Em princípio, o suporte afeta. Vamos ver o caso da ficção. No cinema, tem toda uma tradição de classificação, que não transpõe diretamente da televisão, mas perpassa muito. Tem que tomar cuidado... Western, que é gênero cinematográfico, não se enquadra muito na televisão. No Brasil, o que nós temos ainda hoje é uma hegemonia do gênero jornalístico do jornal que foi reproduzido para a televisão e para o rádio. Começou com o rádio. Temos no rádio o jornal falado, porque ainda hoje a notícia no rádio é lida. Tem um texto que reproduz a lógica do jornalismo impresso diário. Claro que há variações. Reportagem ao vivo, no campo, se tem muito mais criatividade. Mas basicamente, se pegamos o rádio jornal é praticamente igual à estrutura de um jornal diário ou uma revista. O Fantástico é uma revista televisiva. O jornal Nacional, o Jornal Hoje, o Bom Dia Brasil, na verdade, são reproduções do jornal. A estrutura é a mesma do jornal.

Mas a linguagem muda um pouco...
Não digo que é a mesma coisa, mas a forma é a mesma. Notícia é notícia. Reportagem é reportagem. Sabe o que é isso? São 4 séculos! O jornalismo impresso existe há 4 séculos.

Uma questão de evolução...

No caso da mídia digital, ela chupou os formatos. Vamos esperar que se modifique. O rádio quase não modificou ainda. A televisão tem modificado muito pouco.

A parte jornalística...
A parte jornalística, as outras não. Mesmo assim. Os gêneros de entretenimento são transpostos de uma realidade para a outra.

O complicado é que se fala em gêneros televisivos, ao invés de falar em gêneros jornalísticos independente da mídia. Entende?

Sei, sei.

Quem fala gêneros televisivos, coloca o telejornal como um formato dentro da lógica da mídia televisiva, ao invés de pensar...
Mas aí equivale à geléia geral. É um pouco da influência desses trabalhos que vêm de análise textual. Que analisam o texto, mas não analisam o conjunto.

Poderíamos dizer também que é um pouco da própria construção da pesquisa no Brasil?
Falta de rigor.

Falta de rigor?

Falta de rigor. Nós vamos ter que andar muito lentamente ainda. O conhecimento brasileiro sobre comunicação de massa é mínimo. Não se pesquisa comunicação de massa nesse país. Se acha, se condena, se aprova, mas não se pesquisa. Não se tem estudos empíricos. Mesmo na França com todos os problemas desse processo de retrocesso, é rigoroso. Elas primeiro observam, depois sistematizam. Nós damos opinião, nós achamos, mas não se pesquisa quase nada. Nós vamos ter que avançar muito nisso.


PARADIGMA INFORMAÇÃO X OPINIÃO

O senhor acredita que o paradigma informação x opinião é uma paradigma falso como diz o Manuel Chaparro?
Chaparro fala mas não demonstra. Chaparro, como vários outros estudiosos de comunicação, confundem opinião com ideologia. Ideologia perpassa tudo. Escrevi um capítulo da minha tese exatemente dizendo isso. Aí eu sou mais marxista do que os marxistas. Ideologia perpassa tudo! Não tem jornalismo imparcial, neutro. O jornalismo como qualquer ação comunicativa, está emprenhada de um ponto de vista...vamos dizer, de uma opinião nesse sentido genérico. Quando estou falando de opinião e informação, opinião é um juízo de valor, que tem que ser necessariamente criterioso. Todas as notícias são editorializadas. Pode ter a noticia ali, com o que, quem quando onde e porquê, mas o título já te diz que está sendo direcionada. Porque, na verdade, ela obedece à linha editorial do jornal, da televisão, do rádio. Então, acho que o falso paradigma é esse.

Mas não um falso paradigma, um paradigma verdadeiro...
É um paradigma verdadeiro. Se tem a diferença entre informação e opinião. Vai escrever na Folha [Folha de S.Paulo] uma notícia em que estabeleça um parâmetro do governo Lula sem ver o outro lado.

Tenho observado os atos de fala... não é frequente nas notícias, mas encontro opiniões.
Sim, existe. Tem reportagens que são pura opinião. Mas, em geral, apresenta a opinião dos outros. Se tem uma pluralidade de opinião, inclusive do próprio jornalista.

Se eu fizesse uma afirmação, que todo texto, independente do formato, é argumentativo, o que o senhor me diria?
Aí, você está trabalhando com a teoria da argumentação. Os textos puramente informativos, não são argumentativos. O texto argumentativo por excelência é o texto interpretativo, que quase não existe.

Vou insistir um pouco para a gente aprofundar..
Eu respeito muito os pontos de vista divergentes.

Em algum sentido, acabo vendo a notícia como uma "tese". Para chegar ao que é a notícia, diante dos acontecimentos, dados, declarações, a impressão que tenho é de que se passa o texto todo argumentando que a notícia é aquela mesma que se deu.
Pois é. Isso é ideologia.

Ideologia do jornalista?
Do jornalista não.

Ahh...
Não, não. Ideologia da empresa, do veículo. Pode até ser que ela admita, faz parte da ideologia. Ela diga: “- Eu sou plural”. O jornalista pode se manifestar. E há alguns. Os jornalistas que escrevem na página 2 da Folha [Folha de S.Paulo], são comentaristas, têm liberdade de dizer o que querem.

Hoje a palavra 'ideologia' é muito difícil de defender..
De defender ou de definir?

As duas coisas.
Na verdade, ideologia se tornou uma panacéia.

O senhor trabalharia esse conceito como Van Dijk?
Eu lhe confesso que não entendo muito bem o Van Dijk, ele não é suficientemente muito claro.

A análise do discurso trabalha com esse conceito...mas trabalhar, na academia, o conceito de ideologia hoje é um problema.
É um problema porque o pessoal não estuda. A AD, eu não levo muito em consideração, porque eles provam o que querem.


Provam o que querem. No Brasil, só..
Não, isso vem da França pra cá. É uma linha ideologicamente orientada, que tem seguidores. Aqui no Brasil, às vezes, ela chega a ser ridícula. Não estou dizendo que é toda análise, tem estudos um pouco mais rigorosos. Tem análises que mimetizam.

Ãhã...interessante. [tomara que eu esteja nesses estudos mais rigorosos....]

LIVROS

(fotos: divulgação)
Para o senhor, quais seriam os autores dos quais não se pode prescindir para estudar gêneros jornalísticos?
Aristóteles e Quintiliano são os fundamentais. De lá pra cá se avançou pouco. Mais recentemente, vai encontrar em cada literatura, aqueles que foram fundamentais. Na literatura espanhola, dirita que tem Martinez Albertos se tornou referencial. Lorenzo Gomis também. No jornalismo francês, vamos ter vários que trabalham com o conceito de gênero. O Kayser [Jacques Kayser] talvez seja o mais interessante porque operacionalizou a pesquisa de gênero na França. Há muito tempo.
Há muito tempo. Se avançou pouco de lá pra cá, no jornalismo! Vamos encontrar agora o Ruellan [Denis Ruellan] que, na minha opinião, é um pesquisador muito criterioso.

Bakhtin?
Bakhtin, mas ele não trabalhou com jornalismo. Em geral, ele menciona o textos que são operacionais. Outro autor importante é Gramsci,“jornalismo integral” [nos Cadernos do Cárcere]. O pessoal não leu, não gostou ou então diz que gostou sem ter lido. E aqui na América Latina se tem vários. O Gargurevich [Juan Gargurevich], eu acho fundamental. O Rivadeneira Prada...e vários outros.
Um grupo interessante que me identifiquei muito é o pessoal da retórica. Que vem recuperando a retórica clássica. Estão trabahando muito com Quintiliano lá.

Na Espanha?

Não, em Portugal.

Em Portugal, grupo de jornalismo?
Um grupo da Universidade Traz os Montes.
[pausa]


Outro autor importante para estudar gênero chama-se Frei Caneca.

Sim?
Na minha opinião, é o precursor da teoria da comunicação no Brasil. Século XIX, ele publicou o manual de retórica lá no Recife. Foi uma das poucas coisas que restou da obra dele. Muito interessante. Ele certamente faz a primeira adaptação da teoria de Quitiliano para a língua portuguesa, a partir de um mediador português.

A gente poderia dizer que o gênero encarna o processo comunicativo?
Sem dúvida! Para estudar processo comunicativo, tem que partir do gênero.

Dá para entender o que é jornalismo através de gênero?
Dá para entender o que é jornalismo, o que é publicidade, todas essas atividades. É o território por excelência da teoria da comunicação. A gente não estuda isso. A gente estuda o impacto, os efeitos, os antecedentes, a linguagem sem entender como é que ela se produz, como é que ela se adapta. O gênero pressupõe estudo do processo. Entender como a mensagem foi concebida, codificada, transmitida, recebida e realimentada. Sabe que um dos grande problemas dos estudos dos gêneros no Brasil é que não se tem estudado a recepção. A gente tem estudado o gênero concentrado na produção. Quando Chaparro, Cremilda, fizemos um curso na USP, os debates foram tantos que dissemos: - “então, vamos encerrar o curso aqui e vamos nos internar num jornal pra gente observar como é que se faz”. Fomos pra Folha de S.Paulo e isso abriu muito a mente do pessoal.

Existe um problema acadêmico, que nós da universidade, em São Paulo menos, ficamos estanque em relação ao mercado..
Em São Paulo não é diferente não. Esse é um problema brasileiro.

Não há diálogo.
Não há diálogo. Pelo contrário, há recusa. A gente se comporta diante do mercado como se fosse alguma coisa que não nos dissesse respeito. Nós não somos filhos da comunicação, somos filhos das ciências sociais. Precisamos superar isso.

Como é que a gente pode superar isso na academia brasileira?
Mudando completamente nossa forma de agir. Primeira coisa é observar. E ao observar, devolver isso para os que produzem para eles reagirem. Aí vem o diálogo. Vem a contestação. É muito difícil qualquer pesquisador chegar numa revista, numa televisão e ser aceito. Por exemplo, a televisão do bispo Macedo [Edir Macedo, Rede Record], eles criam as maiores barreira. A Globo já foi absolutamente anti-acadêmica.

Individualizado, o pesquisador, consigo ver pouca evolução. Será que através de grupo, de convênio de acordo...
Sabe onde está o problema na minha maneira de ver? Nos curso de pós-graduação. Quando a conseguir organizar a pós-graduação no Brasil... uma pós-graduação que não é comunicacional..

Não é comunicacional, por que?

Porque trabalha com outros referentes, da sociologia, da antropologia, da linguística...que são úteis, mas não podem ser exclusivos. A geração que está hoje na pós-graduação é uma geração que foi formada no exterior. Vêm com uma formação da academia inglesa, francesa, norte-americana e que não estão fincadas no campo da comunicação. Na verdade, os novos professores de comunicação não têm formação comunicacional. Com raríssima exceções. E as pessoas nem percebem isso. Não têm consciência disso.

E o campo do jornalismo...
Piorou ainda. O campo do jornalismo está desaparecendo.

Está desaparecendo???
Está desaparecendo.

Não está reaparecendo?
Vamos dizer que tem aí a ponta do iceberg que se chama SBPJor, o Fórum Nacional de Professores de Jornalismo. É uma reação. Mas é uma reação que só vai produzir efeito daqui a 10, 20 anos.

Mas, porque o senhor diz que o campo do jornalismo está desaparecendo?

Porque, o seguinte: a comunicação é um campo composto por diferentes especialidades. No Brasil, se fez uma geléia geral. Tudo desapareceu. Na universidade americana, jornalismo é jornalismo, propaganda é propaganda, cinema é cinema. Está tudo junto no mesmo universo, mas cada um tem sua especificidade. Aqui, a gente aboliu tudo isso e trabalha com o conceito de indústria cultural, firmado por Adorno e Hokheimer numa determinada conjuntura, que as pessoa não entenderam, transpõem isso como se fosse o mal e o mal tem que ser combatido.

O senhor acha que ainda é assim?

Cada vez mais. Infelizmente.

E o gênero, por tabela...
O gênero é coisa de quem não tem o que fazer, anacrônico, de trogloditas.

Tá bom...então tá.
Não é por isso que a gente vai deixar de estudar, continuar produzindo, porque isso faz parte de uma conjunta. Cada vez mais me impressiono como o interesse dos jovens pelos gêneros, pelas rotinas.

Tem crescido a procura por orientar?
Por orientar, por entrevistas, e referências. Eu gostaria de me multiplicar para atender a tudo. É como se fosse um conhecimento arqueológico. Estão descobrindo algo que desapareceu e que tinha razão de ser.

Tem uma questão que sempre me importuna, desde que comecei a pensar em fazer uma tese sobre gêneros. Quanto mais eu lia sobre gênero, a cada artigo, os pesquisadores citavam as classificações, mas criavam uma nova. Para o senhor, porque sempre ocorre isso?
Porque, na verdade, não há muita preocupação em acumulação. Muitas vezes, as pessoas estão interessadas, muitas vezes, em “fincar sua bandeira”. Não sou eu quem diz isso. Quando a pessoa fala da minha classificação...eu não tenho classificação, minha classificação é cumulativa. Eu dou um passo adiante. Basicamente, a minha classificação é do Luiz Beltrão, com algumas adaptações. Não tenho classificação minha.

Mas a sua sistematização é a mais citada em todo o Brasil inteiro.
Porque talvez eu tenha sido quem sistematizou. Depois do Luiz Beltrão, fui eu. Mesma coisa na Espanha. Quem sistematizou? Martinez Albertos. Os próprios discípulos dele não avançaram muito, porque, como ele era um pouco dogmático, era difícil de avançar. Me conhecimento dele, foi se dar na minha maturidade. Luiz Beltrão não tomou conhecimento de Martinez Albertos para fazer a classificação dele. Eu trabalhei muito mais com o referencial francês, italiano, alemão. Nos Estados Unidos não existe grande conceituação.

Ainda hoje...
Sim, aquilo ali é tão óbvio, tão 'óbvio-lulante'. Também os americanos são muito aversos a teorização. São pragmáticos. Fazem aquelas fórmulas. Suguem adiante.

A preocupação maior é com precisão, exatidão, com as competências jornalísticas...mas os alemães têm um trabalho mais próprio de gênero.
É...o Otto Groth, por exemplo, em La Ciência Periodística, é fundamental. Pena que não tenha sido traduzido.

Para terminar, gostaria de falar sobre a disciplina chamada “gêneros jornalísticos”. Tenho visto que alguns currículos têm a disciplina “gêneros jornalísticos”...
Não tem.

Não?
Pouquíssimas.

Só que elas não são dadas. Estão como optativas.
Olha, eu gostaria de conhecer, realmente eu tenho visto desaparecer. Na verdade, o gênero jornalístico era a espinha dorsal da formação jornalística. Tinha teoria e prática, introdução do jornalismo, depois gênero informativo, interpretativo, opinativo.

O senhor acha que existe alguma tendência de voltar?
Existe porque é necessário para a formação. Sem isso, ninguém avança.

A impressão que eu tenho é que as disciplinas embora existam enquanto nomenclatura, na verdade, a discussão de gênero vai passando superficialmente por toda a graduação nas oficinas.
Na verdade, não existe teorização sobre jornalismo atualmente na faculdades. O jornalismo é prática. Os alunos aprendem desde o começo a fzer laboratório, praticar, praticar. É uma prática vazia, porque despida de formação conceitual. Os alunos descobrem por eles mesmos. Não é de maldade. É que eles não conhecem. O que chamam de teoria do jornalismo é uma teoria da comunicação mal feita, mal alinhavada. Se quer transpor certos preceitos gerais da teoria sociológica e da teoria antropológica, que não se adaptam necessariamente ao mundo jornalístico. A França, nesse ponto, tem dado mais contribuição. Porque é um esforço de teorização sobre o jornalismo e que está à margem da corrente lá. A corrente lá na França não legitima muito isso.

Como aqui?

Aqui, na verdade, está desprezada. São poucas as pessoas que se preocupam com isso. Mas a tendência é a nova geração encontrar isso como arqueologia e voltar.
Parte-se do princípio de que tudo é pós-moderno, tudo é pós 11 de setembro. E na verdade, estamos pré-Revolução Francesa. Um país como esse, com essa quantidade de gente faminta, analfabeta, inculta. Um país que não se lê jornal. A grande revolução nossa é fazer com que o jornal, a leitura entre no cotidiano dos brasileiros.


Tudo bem, professor, obrigada!
Foi útil?

Muito últil...

Bem, não foi? Acho que todos nós acharemos.

4 comentários:

flaerte 16:02  

Não é à-toa que o professor Marques de Melo é uma referência importante no estudo do jornalismo, principalmente no que diz respeito a gêneros jornalísticos. Muito oportuna e esclarecedora a sua entrevista. No entanto, há pontos com os quais eu não concordo como, por exemplo, o que fala a respeito de Análise de Discurso. Sou pesquisador desta área e entendo que a AD tem se revelado como importante método de pesquisa e produção de conhecimento. Mas a chave do eqüívoco, penso eu, é que o professor Marques de Melo não dedicou-se ainda a ler os autores da AD com maior gosto. Digo isto por conta de sua revelação de não entender o van Djik. Embora, também, eu concorde quando ele diz que alguns textos de AD chegam a ser ridículos. No entanto, isto não não é privilégio da AD, em todas as áreas da pesquisa há textos com e sem nenhuma qualidade.

Lia Seixas 08:46  

Concordo plenamente com vc! Também trabalho com a AD, francesa e Foucault.
O professor Marques de Melo tem razão quando diz que muitos estudos da AD provam o que querem, mas isso ocorre com outros referenciais. Na verdade, entendo que é uma crise da pesquisa em comunicação.
Me envia um mail (liaseixas@gmail.com), vamos trocar figurinhas!

Lucas 12:28  

Olá,
Gostei muito da entrevista, vou usar em sala, com os alunos, grato.

Lucas

Lia Seixas 09:42  

Oi, Lucas, muito obrigada! Fique à vontade para usá-la.
Abraço,

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